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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O usuário não sabe inovar


"Nosso plano é guiar o público ao invés de perguntar a eles que produtos eles querem. O público não sabe o que é possível, mas nós sabemos." --- Akio Morita, co-fundador da Sony
"Se eu tivesse perguntado aos meus clientes o que eles queriam, eles teriam dito que queriam um cavalo mais rápido." --- Henry Ford, fundador da Ford Motor Co.
A conhecida frase do Ford e a não-tão-conhecida frase do Morita dizem a mesma coisa - se você quer inovar, não consulte seus usuários. Desde que comecei a trabalhar com sistemas que são feitos para milhões de usuários, já vi centenas de respostas para a pergunta "o que você gostaria que o sistema tivesse?" e nunca, NUNCA, vi uma resposta que fosse extremamente útil, original, criativa, e que já não estivesse na nossa lista de coisas para fazer.

Os usuários tem 3 tipos de idéias para te dar:
  1. Melhorias no sistema atual - em geral o usuário tem certas dificuldades em realizar tarefas com seu sistema, e sabe sugerir maneiras de reduzir as dificuldades. Em geral esse tipo de comentário é muito útil para você achar deficiências no sistema, mas via de regra as sugestões de solução que o usuário tem pra dar não são boas -
  2. Integrações - "bem que podiam integrar esses dois sistemas" é super comum. Em geral o usuário não sabe bem o que teria a ganhar com a tal integração; o que eles querem é não ter de ir aos dois sites. O problema é que o site que você usa para controlar sua dieta não tem nada a ver com o site do bolão do campeonato.
  3. "Seria legal" - essa é a mais perigosa; o usuário vislumbra uma possibilidade concreta e revolucionária, que ninguém usaria. "Seria legal demais se o orkut mandasse um scrap de aniversário para os meus amigos automaticamente!"  Seria sim. Assim você não ia ter de mandar parabéns pra ninguém, e no dia do seu aniversário você receberia 200 mensagens idênticas, uma de cada amigo seu, e passaria o dia que deveria ser feliz xingando porque tem de ficar apagando o lixo que apareceu na sua página de recados. .
Antes que digam que eu estou desprezando o usuário, eu não estou. O usuário lhe é indispensável para muitas coisas, dentre elas:
  1. Mostrar que o seu sistema não é tão fácil de usar quanto você imaginava. Já assisti a testes de usabilidade dos meus sistemas e é desesperador - de repende você percebe que aquele botãozinho que você julgava trivial de se entender não quer dizer nada pra ninguém.
  2. Mostrar que sua idéia não é tão boa assim. Use a estratégia do açougueiro, que é a seguinte: sempre que você for comprar carne no açougue, pergunte ao açougueiro se a carne está boa; se ele disser que não está, não compre. Da mesma forma, discuta sua idéia inovadora com o maior número de pessoas que você puder. Se a grande maioria te disser que não se interessaria, então não implemente. Se disserem que é interessante sim e que usariam, não acredite e pergunte mais. Não tenha medo, ninguém vai roubar sua idéia, ela não é tão boa assim.
O que eu estou dizendo é que você não deve deixar que seu usuário dite o caminho que seu sistema vai seguir. Se você perguntar ao usuário o que ele quer, ele vai responder. O problema é que se você fizer o que ele está pedindo, vai perder a oportunidade de fazer algo novo, criativo e inovador, porque o que ele vai te sugerir certamente não será nenhuma dessas coisas.

Confie no seu taco, valide suas idéias com seus usuários, e bola pra frente.

Fonte micosderealejo

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Faça seu tempo





Você já sonhou com a abertura de sua própria empresa, a criação de um produto para a internet ou simplesmente ensaiou criar um blog sobre programação ou qualquer outro assunto de seu interesse? Se a resposta para essas perguntas, ou para uma similar a essas, for afirmativa, espero que você já tenha iniciado algum plano para atingir a sua meta. Caso contrário, por que ainda não começou a trabalhar para conquistar o seu sonho?
Infelizmente a maioria das pessoas padece sempre do mesmo mal, a falta de tempo. Se você também é uma dessas pessoas que além de trabalhar, precisa dedicar tempo a sua família, cuidar da sua saúde e cumprir com um número sem fim de responsabilidades, e por isto nunca consegue tempo para correr atrás do seu sonho, eu sou obrigado a lhe dizer: Você é um preguiçoso (e eu não estou falando deste tipo bom de preguiçoso).
Sempre há tempo suficiente. O problema é que a maior parte das pessoas gasta todo o seu tempo livre em atividades que não são tão importantes e o que sobra não é o suficiente para correr atrás do seu sonho.
Todas as grandes pessoas que eu conheço, também estão sobrecarregadas com as mesmas responsabilidades familiares, profissionais e outras atividades importantes que consomem muito do nosso tempo. A diferença entre os que apenas sonham e os que realizam seus sonhos pode ser resumida em apenas uma única palavra, equilíbrio. Simplesmente não existe uma pessoa no mundo que esteja totalmente livre de obrigações. Desta forma, ouvir a expressão “não tenho tempo para me tornar grande” sempre soará como uma bela desculpa para a preguiça.
Não possuir muito tempo para começar é natural, mas isto não significa que você nunca tem um tempo livre para começar. As pessoas em geral usam a falta de tempo como uma desculpa para não se sentirem tão mal por nunca terem realizado nada grandioso.
Este tipo de desculpa é ainda mais deprimente quando vem daqueles que ainda estão estudando. “Eu preciso estudar tanto… Tenho tantas aulas… Tantos trabalhos para entregar…”. Se você está tão atolado com seus estudos que não há tempo de aprender nada fora da escola, então definitivamente alguma coisa está errada.
Certa vez uma pessoa muito inteligente disse: nunca deixe sua escola interferir com a sua educação. Mais uma vez, equilíbrio é muito importante.
Veja o caso do criador do Rails, David Heinemeier Hansson. Ele comentou certa vez em uma entrevista que durante seu período na escola ele recebeu muitas notas B e C, e que ele se sentia muito orgulhoso destas notas já que elas vinham com quase ou nenhum tempo gasto estudando. Enquanto isso ele usou a maior parte do seu tempo livre estudando coisas de seu interesse por conta própria e iniciando seus projetos pessoais e a criação da sua própria empresa.
E ele conseguiu. Mesmo estudando, ele criou o Instiki, o Ruby on Rails e o Basecamp e ainda se tornou sócio da 37signals. Você acha que ele conseguiria tudo isso se suas maiores preocupações fossem tirar notas A na escola e jogar videogame? Com certeza, não.
Se você realmente deseja conquistar algo, então você conseguirá tempo para isto, independente de quais são as suas outras obrigações. Não deixe seus sonhos para depois.
Mas se eu posso ser realmente honesto com você, eu prefiro que você continue apenas se desculpando com a falta de tempo e que nunca inicie nada, isto é melhor para mim… menos concorrência.

Fonte : Nome do Jogo

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Bagunça pode ser tudo o que você precisa


Já notou que sempre bangunçamos o ambiente em que estamos trabalhando? Se você não fizer um esforço bem consciente para organizar tudo enquanto trabalha ou quando termina de fazer o que precisa, as chances são que as coisas estejam um pouco mais bagunçadas do que no início. Já notou também que mesmo que tudo pareça bagunçado, você (quase) sempre consegue se achar na sua bagunça? E que se alguém fizer o “favor” de “organizar” as coisas para você há uma boa chance de piorarem sua situação? Isso acontece porque a bagunça era a sua bagunça.
E também porque provavelmente não era uma bagunça.
Por trás desse tipo de bagunça aparente, há sempre uma ordem não óbvia. Para usar um exemplo bastante simples discutido no livro Uma bagunça perfeita de Eric Abrahamson e David H. Freedman (prometo publicar uma resenha apropriada em breve), uma pilha de papéis jogados sobre uma mesa está ordenada por ordem de uso: os mais usados ficam no topo e os menos usados no fundo. Isso acontece naturalmente se você sempre devolver os papéis que precisou da pilha para o topo. Do mesmo modo, se você pedir a alguém para realizar alguma tarefa rotineiramente, as pessoas sem nem perceber acabam bolando procedimentos de modo a facilitar o trabalho, aproveitar melhor o tempo e tornarem-se produtivas. Por isso bons programadores acabam chegando a algo parecido com XP se não forem podados.
Mas este é um blog sobre desenvolvimento de software para programadores e o trabalho do programador é justamente eliminar a bagunça do trabalho das pessoas, escrever programas que as ajudem a se organizar melhor, identificar “processos de negócio” e coisa e tal, certo?
Errado, se o seu ego conseguir aceitar que as pessoas que estão lá fazendo o trabalho no fim das contas sabem muito mais dele do que você.
Muitas vezes o que precisamos não é bem organizar o que as pessoas estão fazendo. Às vezes precisamos somente tornar a bagunça mais eficiente. Quando se tenta organizar muito os processos de trabalho das pessoas a coisa acaba ficando engessada demais. O resultado são sistemas que atrapalham mais do que ajudam e gente que passa mais tempo tentando agradar os sistemas corporativos do que resolvendo problemas dos clientes. Já ouviu a célebre frase “eu entendo, mas o sistema não deixa” quando tentou algo minimamente fora do comum com um banco ou uma operadora de telefone? É disso que estou falando. Resultado dos sistemas paralisantes. Resultado da organização demasiada.
Por outro lado sistemas caóticos terminaram sendo alguns dos exemplos de maior sucesso em nossa indústria. O Unix, por exemplo, é descrito por Martin Fowler como a maior aglomeração de coisas coladas umas nas outras que o mundo já viu. A web, por sua vez, é uma imensa bagunça de documentos, links e referências em escala global. Os dois sistemas têm em comum a filosofia de fazer pouca coisa, mas fazer bem o que escolheram fazer, e permitir que os usuários façam o que bem entenderem utilizando essa fundação. Eles não tentam organizar cada mínimo aspecto da rotina das pessoas. Eles aceitam o fato de que nunca vão conhecer o trabalho das pessoas tão bem quanto elas mesmas e se concentram em permitir que elas tenham liberdade para fazer o que quiserem do jeito que quiserem.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Escola é Fabrica de Fracassados


No último horaextra surgiu um assunto que a um bom tempo me interesso e gostaria de escrever sobre : A formação educacional.  Tal coisa apareceu após falarmos dos perfis das pessoas que tem sucesso – financeiro, político, público, científico, etc – e notarmos que a grande maioria desses tinha algo em comum:  nenhum deles seguia algum padrão dito normal pela sociedade.  Isso nos leva a pensar que talvez a forma que estamos educando não seja a melhor forma pois, a maioria dos vitoriosos não seguiram esta trilha e os que ela seguem não tem grandes chances de sucesso.
Não existe uma formula secreta para ser famoso ou rico. Existe é trabalho, sorte e muito sacrifício. Infelizmente isso ninguém ensina nos colégios.
Nossas escolas baseiam sua forma de ensinar em padrões que foram determinados já faz um bom tempo (não tenho certeza mas a última reforma foi a 20 ou 30 anos) e, com isso, é de se esperar que nenhuma das crianças atuais não consigam mais achar interessante ou desafiador o fato de estudar. O pior de tudo, em minha opinião, é que as escolas acabam  se tornando fábricas de fracassados, com suas formulas, padrões generalizados e com seus modelos ultrapassados. Desconheço a escola onde se ensina a criança a ter uma relação saudável com dinheiro; desconheço a escola onde se ensine coisas simples como empreendorismo.  Poderia ficar nisso o tempo que quisesse (enumerando lições interessantes que deveriam ser dados porém não o são). A questão que o modelo educacional adotado data de séculos e nunca foi feito até então uma reforma profunda. O que tenho visto, nas ditas escola modernas, é apenas uma maquiagem ou nova roupagem para o velho modelo, como por exemplo de uso de computadores mas ainda insistem ensinar matemática através de “decoreba” de tabuada.
Cansei de ter professores, por exemplo, de português que gastavam todas suas energias em me ensinar todos os termos ortográficas, pronomes, análises sintáticas, etc entretanto, nunca perderam 5 minutos de suas preciosas vidas para dizer coisas simples como pontuação pode mudar o sentido do texto; sujeito oculto e indeterminado pode ser um recurso interessante para dar uma imagem da narrativa, pronomes demonstrativos carregam o sentido da distancia, e um monte de outras coisas que acabei aprendendo com jornalistas, escritores, menos com professores de português. Isso não se limita aqui, exemplo diversos existem em matemática, história – quantas não foram as aulas que escutei por longo tempo datas e nomes os quais nunca fizeram sentido; somente tiveram sentido quando decidi ler romances e estudos históricos com outros enfoques.
Se tudo isso já não fosse argumento suficiente para mostrar que escolas são fábricas de fracassados, ainda existe o fato de que elas não refletem a realidade da criança. Hoje, um menino (ou menina) já tem acesso a um mundo de informação e está num mundo onde a comunicação acontece de forma simples e sem fronteiras.  As respostas estão todas a um clique ou busca no Google. Não existe mais a necessidade de sermos memórias vivas… Precisamos desenvolver o raciocínio para processar essa volume assustador de informação que recebemos a cada segundo. Para piorar, em lugar nenhum, até mesmo em casa, ninguém nos ensina a sermos empreendores, a não tem medo de realizarmos nossos sonhos, de nos lançarmos ao desconhecido de peito aberto.
Quantas não são as pessoas que ficam em livrarias, para ser mais exato nas sessões de auto-ajuda, em busca de algo que traga uma formula secreta e infalível que a tornará o melhor profissional, melhor pai (ou mãe),  ficar rico, famoso, etc. Tudo isso vem da crença que nos é passada na infância que para tudo deve existir um método e que correr riscos é algo ruim. Gosto de citar como exemplo o fato de que o Bill Gates e do Steve Jobs não terem feitos faculdade e hoje são  uma das maiores fortunas do mundo.  A questão que fica é: a escola ajuda ou atrapalha.
Antes que comecem a pensar que devamos fechar todas as escolas e mantermos nosso filhos em casa, vamos com calma.  Nem tudo é ruim. A escola é importante entretanto ela deve se transformar, se redescobrir e ao seus métodos em nossa era.  Todos devemos saber escrever, fazer contas, etc a questão que isso pode ser ensinado de forma interessante do ponto de vista do aluno.  Não adianta achar que isso é apenas usar computadores e datashow para dar aula: deve-se entender a cultura formada em torno.  Além disso, o mundo precisa de pessoas que desafiem a ordem instaurada, inovadores, empreendores.
Por vezes a resposta está em quebrarmos paradigmas; o sucesso pode ser em fazer algo que saia do lugar comum e que até quebrar com crenças ; quanto não são as histórias de pessoas que para obter sucesso naquilo que gostam de fazer tiveram que romper laços com familia….
Precisamos quebrar essa fábrica de fracassados e começarmos a pensar que temos que formar gente diferente da maioria que está por ai.

Fonte: André Fonseca